Testemunhos

  • Os contadores de histórias. Há 2 semanas que oiço as histórias que vão contar à minha filha que está internada em Sta. Maria, para ela acho que é um momento bastante agradável, as crianças de uma maneira geral gostam de histórias, mas nesta situação em que se encontram, o facto de serem outras pessoas a contar-lhe as histórias, além dos pais, é motivador para elas, porque veem pessoas diferentes, que têm uma forma diferente de contar as histórias, o que os faz sair da rotina, sendo estimulados de maneira diferente todos os dias, o que contribui positivamente para a evolução da recuperação. Aos contadores de histórias, obrigado pelo vosso tempo que dedicam a criar um momento bastante agradável às crianças que estão a passar uma fase difícil nas suas vidas, e ao alento que trazem também aos pais.

    Luís Pai da Inês, 9 anos
  • Era uma vez … …. uma estrela chamada PED 6 que vivia no céu com muitas outras estrelas. Certo dia, a estrela PED 6 começou a sentir-se sozinha e triste. Numa certa noite escura a estrela encontrou uma nuvem chamada Vitoria. A nuvem Vitoria ao aproximar-se da estrela perguntou-lhe porque esta estava triste. Esta respondeu-lhe que sentia-se sozinha e abandonada. A nuvem Vitória com muita pena da estrelinha contou-lhe uma linda história de encantar e embalar, acabando por adormecer a estrelinha. No dia seguinte, encontraram-se novamente e a estrelinha confidenciou à nuvem que tinha tido uma noite cheia de sonhos encantados. Entre elas combinaram encontrarem-se todos os dias para partilharem novas histórias que levassem a sonhos coloridos. ……   Com esta breve história, sem fim, pretendo demonstrar a minha admiração e gratidão por existir pessoas com imaginação e capacidade para realizar este tipo de projeto. Hoje na nossa sociedade, são poucas as pessoas que dão do seu tempo em função do outro. Dar sem pensar em receber em troca. Como profissional de saúde, agente participativo neste projeto, sinto que ao contrário de outros projetos já existentes neste serviço, este tem uma das particularidades que me fez ficar entusiasmada para que continue. Esta particularidade é que os profissionais de saúde presentes são convidados a participar. Somos vistos como um elo fundamentar para integrar os elos do projeto quando chegam ao serviço para contar as histórias. Estou fã deste projeto pois tive a possibilidade de ver na prática as implicações do ato de contar histórias e as repercussões que tem no bem-estar das crianças internadas, que por si só já estão fragilizadas. É encantador ouvir as histórias que são escolhidas conforme a faixa etária da criança e a mensagem que existe por traz das mesmas. Desejo que este projeto cresça ainda muito mais. Nunca desanimem. A todos os contadores, que dão um pouco do seu tempo, Muitos Parabéns  ….

    Catarina Grilo Enfermeira
  • Olá! Nunca é tarde para vos agradecer o fantástico trabalho que têm vindo a realizar junto das nossas crianças, pais e familiares que as acompanham. É um projeto de voluntariado ao qual vocês se entregam e dão “amor à camisola”, passo a expressão. Confesso que inicialmente estava apreensiva, questionava-me pelo conteúdo do projeto, o horário estipulado, se não iria estimular mais as crianças num horário que queríamos mais “paz e sossego” e de que forma traria também impacto para nós os profissionais de saúde e na nossa organização de cuidados. Tive o privilégio de vos conhecer logo na primeira semana de implementação do projeto o que facilitou a vossa integração e a minha disposição para vos receber (...) foi uma fase em que o serviço estava “calmíssimo” segundo a nossa gíria. No decorrer dessa semana, e posso já adiantar que ao longo da vossa permanência no serviço, testemunhei que a vossa intervenção é direcionada e adaptada a cada faixa etária, a cada situação de saúde-doença, abordam os pais/familiares e envolvem-nos, o que para eles é também muito gratificante pois estão a “sofrer” pelo seu filho/familiar internado. De várias situações posso nomear uma (…) sim uma chega porque senão tinham aqui muitas páginas para ler (…) que foi de uma vez quando entrei no quarto do Joelson e estava um de vocês a contar-lhe uma história. Eu continuei e fiz o que era para fazer nesse momento (julgo que era administrar terapêutica) até que me abordou e questiono-me qual a minha opinião sobre o falar com alguém em coma. É uma dúvida plausível, será que a pessoa nos está a ouvir? Temos algum impacto na nossa intervenção? Ou estamos para ali a falar “para o boneco”? Eu disse que ao cuidar de alguém, seja em que condição for, eu falo para ela, digo o que estou a fazer ou que estou a planear fazer porque até que me provem o contrário para mim essa pessoa pode estar num estado clinico não reativo mas nada comprova que não ouve ou que o nosso cuidado, o nosso timbre de voz não interfere na sua tranquilidade. Depois mostrei-lhe o monitor onde se podiam ver os batimentos cardíacos e naquele momento o Joelson estava pacífico, com frequências cardíacas estáveis e nada acelerado como costuma estar quando está incomodado. Foi nesse momento que quem lhe estava a contar a história me disse que já tinha reparado que os valores estavam mais baixo desde que ele tinha entrado no quarto. Esta situação é apenas um exemplo da vossa intervenção. Podia também referir que vocês fazem a diferença nas crianças em idade pré-escolar e escolar quando as juntam a contar histórias e permitem que os pais consigam ir jantar ou apenas “apanhar ar”, é outro exemplo. É por isto que o meu testemunho é muito positivo, e adorava que este projeto conseguisse chegar a outros serviços para também eles beneficiarem da vossa intervenção. Um muito obrigada a todos. E cá estaremos juntos para limar as arestas para que este projeto siga em frente.    

    Bárbara Santos Enfermeira
  • Em primeiro lugar, consideramos o projeto uma mais valia, tendo em conta o seu conteúdo principal: o SONO. Este acaba, muitas vezes, por sofrer alterações devido aos tratamentos, à dor, à falta de privacidade e silêncio e por ser um espaço desconhecido e impessoal, pelo que a iniciativa para promover a sua qualidade, é de louvar. Do mesmo modo, que a equipa de educação tem como um dos seus principais objetivos, a humanização e a continuação das rotinas e hábitos familiares, este Projeto assemelha-se a nós nestes aspetos. Em ambiente familiar existe ou deveria existir uma rotina ao deitar. Aqui, muitas vezes este hábito é um aspeto que acaba por ser alterado, o que acaba por ser uma contradição, visto que esta mudança exige mais e melhores cuidados e não a ausência deles. Assim, o contar histórias ao deitar, não é só importante, como terapêutico e educativo. Apesar de só termos estado presentes no primeiro dia, o feedback das famílias e crianças/jovens, é muito positivo. É unânime a satisfação com que falam no dia seguinte sobre a história que ouviram e sobre o seu significado. É também de realçar a personalização que têm conseguido mediante a diversidade de crianças, patologias, necessidades e idades (...)

    Educadoras
  • Quem conta um conto acrescenta um ponto... Desde pequena que oiço esta frase e nunca me fez tanto sentido como agora, mas de uma forma diferente daquela com que sempre me explicaram. Desde que os nossos amigos da Nuvem Vitória vieram ao serviço contar histórias às crianças que cá estão internadas que percebo esta frase de forma diferente. Eles contam uma história e à sua maneira, com o seu cunho pessoal e único, acrescentam algo de diferente e especial que faz com que as crianças fiquem mais calmas e algumas acabem mesmo por adormecer. Não sei se é a forma como contam, calma, pausadamente e com uma voz muito tranquila, ou mesmo o que contam...a verdade é que se vê que as crianças ficam muito atentas ao inicio e posteriormente mais tranquilas. Isto é possível de verificar mesmo com as crianças que não conseguem, ou não sabem, falar ou expressar-se, através dos seus parâmetros vitais, que podemos observar que ficam mais estáveis. Até eu que às vezes estou mais cansada, só de ouvir parte das histórias, parece que fico mais tranquila. É como se se tratasse de uma nuvem apaziguadora que passa pelo serviço e tudo fica mais calmo. Obrigada amigos da Nuvem Vitória por fazerem deste serviço um lugar mais calmo e confortável para os nossos meninos que cá têm de passar os seus dias e obrigada por quererem partilhar o inicio da vossa caminhada com a Pediatria 6, nós sentimo-nos privilegiados.   Beijinhos da vossa amiga

    Romina Costa Enfermeira